Tenda_ Ante.: Sigaana

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Sigaana



Leia minha mão mulher.
Leia e me ensine a florir emoções sensatas que não oscilam na flor da pele da menina
Dos olhos.
Veja meus pés, andaram tanto pra te encontrar.
E já estou cansado.
Sei que até aqui só encontrei ar, e mar, e lua e sol, e céu e inferno, e bem e mal.
E tudo sobre uma sobrevivência de séculos passados.
Sintonizando poeira nos sentidos.
Só ar pra respirar, e meu lar em Constantina ainda me esperava enquanto fitava a maré brava passar pra depois prosseguir ao teu encontro.
Mas agora, nem te apresses em ler minha mão subliminar.
Nem te assuste ao ver lastimas escondidas nos meus traços.
Lagrimas lagrimam lacrimejadas em meus aços oxidados pelo sol.
Leia, me traduza, não me abuse, não balbucie mentiras ocultas.
Talvez, se não tiver eu solução, me use para conserva, para experiências de monotonia,
Ao menos estarei conservado.
Numa solução fisiológica, ou somente lógica.
E converta minhas conversas em compressas para seu bolo. E sirva a todos que pedirem de mim um pedaço.
E nem queira vir a repetir o que já ouvi de outras.
Porque sei que já me tornei um seminu, desnudo de pele, desnudo de mim, esperando minha roupa de amor cigano.
Mulher.
Leia meus traços.
Minha mão não engana.
Prometo.
Sou tão insano/humano quanto você.
Não sou santo.
Não somos.
Mas se cantando eu puder te cantar uma cantiga após me ler, o meu feito já estará feito.
Poderei traduzir novas palavras.
Sei que não queres meu dinheiro, então faça por simpatia, ou por amor, se quiseres.
Leia minha mão mulher, e prometo, serei completo no meu ato voar contigo, e de transformar-me em sua aurora.
Quem sabe não és tu, a cor que me faltava, para dentro de minha larva a luz florescer novamente?
Enquanto não me respondes com algo sensato, ficarei calado, sentado, saboreando a água que escorre.

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