
Ícaro .
Concertei os meus tolos sapatos andantes,
Cometi como burro o ato de usar-los, e resolvi aprender a voar.
Andei descalço pedindo aos ventos polares,
E em vão me responderam.
Deixei então que fossem embora para voltar mais tarde com o vento quente dos desertos escaldantes.
Talvez me dessem eles respostas diferentes.
E não em muito tempo,
Nem eles me contentaram com as lógicas de seus vendavais.
E não me senti bem quando fiquei com os pés sobre a montanha e a cabeça em baixo d água.
E nem quando o sol me chamou de tolo me saciei ou desanimei.
Por fim,
Depois de tanto me afogar no sol e na água.
Resolvi concertar minhas pequenas sandálias andantes.
E com um olhar de criança chorei por não conseguir dete-los.
Esquece-los.
Faze-los pó.
E não consegui não mais deles precisar.
Tentei me expor.
Tentei ousar.
Só pude realmente voar.
E quando meu coração parou por um instante para voar.
Consegui por Deus voltar na vida.
Joguei então meus tolos sapatos.
E calcei minhas sandálias de Ícaro.
E voei.
Sem muito esforço voei.
E,
Ontem.
Imaginem só!
Deparo-me com uma andorinha bege tentando calçar meus sapatos,
me dizendo.
Quero conseguir caminhar como você.
Homem andante.
Ismael Alves do Amaral

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