Tenda_ Ante.: Atenda

sábado, 22 de outubro de 2011

Atenda

Bendito seja o tempo, que permite que possamos descrever nossas idas e voltas, com o amor de quem nunca foi, e de quem ainda vai voltar.

Bendito seja o tempo que aceita nossa indignação com afeto, e nos deixa mandar tudo a merda, porque sabe que cada vida é uma vida muito importante, e que aquele momento merece respeito.
Mesmo sabendo que estamos indiferentes a tantas outras vidas, bendito o tempo, que não fica indiferente perante nossas diferenças.

Bendito o tempo que abre as janelas nos caminhos, mesmo que não saibamos, que aquela luz que avistavamos, estava diante da janela de nossos melhores muros, em um tempo que imaginando estar livres de nossos medos, assoviavamos com os pássaros multicoloridos, e não sabiamos que eram eles a nossa alma.

Bendito o tempo que sabe a hora certa para as muralhas serem derrubadas. 

Bendito o tempo que mesmo tendo nos deixado mais velhos, ainda deixou para o agora aquelas frases que escrevemos ou falamos um dia, com toda a revolta de um adolescente, de um jovem, de alguém provável, e que mesmo com tanta indignação, ainda permite que possamos entregar perdão a nós mesmos, com um simples sorriso.

Bendito o tempo que me diz, e que te diz. O tempo que bendiz toda ação feita de coração sincero, porque dela será a saúde de uma mente alegre, e de uma alma pensativa que outrora teria sido tantas outras, mas é eu, é você. 

Bendito seja o tempo, que abre suas portas para que possamos entrar em nós mesmos e perdoar os fantasmas, abrir mão dos amores inalcançáveis, dos medos presumidos, e das letras um dia escritos com lápis de sangue em páginas vermelhas.