Bendito
seja o tempo, que permite que possamos descrever nossas idas e voltas,
com o amor de quem nunca foi, e de quem ainda vai voltar.
Bendito
seja o tempo que aceita nossa indignação com afeto, e nos deixa mandar
tudo a merda, porque sabe que cada vida é uma vida muito importante, e
que aquele momento merece respeito.
Mesmo sabendo que estamos
indiferentes a tantas outras vidas, bendito o tempo, que não fica indiferente perante nossas diferenças.
Bendito o tempo que abre as janelas nos caminhos, mesmo que não
saibamos, que aquela luz que avistavamos, estava diante da janela de
nossos melhores muros, em um tempo que imaginando estar livres de nossos
medos, assoviavamos com os pássaros multicoloridos, e não sabiamos que
eram eles a nossa alma.
Bendito o tempo que sabe a hora certa para as muralhas serem derrubadas.
Bendito o tempo que mesmo tendo nos deixado mais velhos, ainda deixou
para o agora aquelas frases que escrevemos ou falamos um dia, com toda a
revolta de um adolescente, de um jovem, de alguém provável, e que mesmo
com tanta indignação, ainda permite que possamos entregar perdão a nós
mesmos, com um simples sorriso.
Bendito o tempo que me diz, e que te
diz. O tempo que bendiz toda ação feita de coração sincero, porque dela
será a saúde de uma mente alegre, e de uma alma pensativa que outrora
teria sido tantas outras, mas é eu, é você.
Bendito seja o tempo,
que abre suas portas para que possamos entrar em nós mesmos e perdoar os
fantasmas, abrir mão dos amores inalcançáveis, dos medos presumidos, e
das letras um dia escritos com lápis de sangue em páginas vermelhas.